Ex-secretário de obras de Paes diz à Polícia Federal que não se lembra como comprou imóveis e carros

sábado, 12 de agosto de 2017

Um depoimento à Polícia Federal, o ex-secretário de Obras da Prefeitura do Rio Alexandre Pinto – preso no último dia 3 na operação Rio 40 Graus, um desdobramento da Lava Jato – afirmou que não sabe como comprou uma casa, uma sala comercial e dois carros. A GloboNews teve acesso com exclusividade ao depoimento de Pinto, suspeito de cobrar propinas em obras realizadas na gestão do ex-prefeito Eduardo Paes.De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), Alexandre Pinto teria cobrado propina do consórcio responsável pelas obras do corredor de BRT  Transcarioca e na drenagem de córregos da bacia de Jacarepaguá. A propina acertada seria equivalente a 1% do valor dos contratos, segundo a delação de ex-funcionários da empreiteira Carioca Engenharia, que fundamentaram a investigação.

O ex-secretário depôs no mesmo dia de sua prisão, negou ter participado do esquema de fraudes e recusou a oferta de fazer um acordo de colaboração premiada. À Polícia Federal, Alexandre Pinto disse desconhecer os motivos pelos quais os delatores possam ter relatado os encontros e pagamento de propina.

Pinto confirmou ter se encontrado com um dos delatores em uma padaria perto de sua casa, mas negou ter recebido propina. Ele não soube explicar uma série de compras de imóveis e carros, feitas por ele e por sua família, que não foram declaradas à Receita Federal. Inicialmente, disse que tudo foi declarado, mas caiu em contradição ao ser confrontado.

Sobre a compra de um imóvel por R$ 120 mil, em fevereiro de 2011, feita por sua mulher e não declarada à Receita, que é sua dependente, o ex-secretário respondeu que pode ter havido erro na declaração de Imposto de Renda. Embora tenha afirmado que usou recursos próprios para a compra do imóvel, ele disse não se lembrar de como pagou pelo mesmo.

Mais adiante, Alexandre Pinto confirmou ser o dono de uma BMW, mas novamente disse que não se lembra quanto pagou pelo carro, apenas que deu uma Pajero como entrada e pagou a diferença – sem especificar se usou cheque, transferência bancária, nem se pagou à vista. A falta de memória do ex-secretário se estende à aquisição de uma sala comercial, comprada em novembro de 2013, e de um carro, comprado no mesmo ano e novamente não declarado á Receita.

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